Para reforçar o espírito da Páscoa, o Flamengo fez questão de morrer e ressuscitar na mesma partida

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Atualizado: 05/04/2026, 21:38
Lucas Paquetá comemora seu gol com os jogadores do Flamengo

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Mesmo que você seja de outra crença ou religião e que os próprios ritos variem dentro do cristianismo, a ideia central da Páscoa é bem clara e conhecida: se trata do momento em que Jesus Cristo teria, três dias após sua crucificação, retornado ao mundo dos vivos. 

Um dos episódios centrais da fé cristã, ele representa um momento em que a maior tristeza possível, que seria a morte de um salvador, é transformada na maior glória imaginável, que é a superação, por parte desse mesmo messias, da barreira que separa a vida da morte.

E ainda que o Flamengo, nesta temporada de 2026, não pareça estar muito interessado em disputar títulos, conquistar vitórias ou mesmo praticar um futebol convincente, não se pode negar que, neste domingo de páscoa, a equipe comandada por Leonardo Jardim decidiu oferecer a sua própria interpretação esportiva da Páscoa, com direito a traição, tortura, morte e ressurreição.

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Se formos começar listando todos os Judas que tentaram entregar a equipe rubro-negra para o exército santista, vai faltar espaço. Ayrton Lucas é pior que qualquer soldado romano, Carrascal fez um primeiro tempo digno de Barrabás, Samuel Lino até participou de algumas jogadas importantes, mas nem por isso escapou das tentativas de apedrejamento no templo.

Então não foi uma surpresa quando, no começo do primeiro tempo, o Flamengo pareceu morrer, com o gol de Lautaro Diaz, que deixou a equipe santista à frente do placar.

Como podia a equipe que meses atrás quase venceu o PSG no Mundial Interclubes, estar agora passando constrangimento diante do fraco time do Santos, em pleno Maracanã? Era essa a terra prometida? Eram isso que diziam os profetas? Como pode um clube com dinheiro pra tanto ouro, incenso e mirra, ficar nessa situação?

Mas quando tudo parecia perdido, foi a hora da ressurreição. Primeiro o alarme falso no gol anulado de Léo Ortiz, que rapidamente deu lugar ao gol de empate efetivamente marcado por Pedro.

Foi então a vez da atitude nada cristã do zagueiro adversário, que talvez imaginando estar numa micareta, agarrou o primeiro homem que passou por ele, derrubando Arrasca na área. Pênalti convertido por Jorginho. E por fim Lucas Paquetá deu números finais à partida, após bela jogada de Plata, um homem que não parece exatamente religioso, mas também é famoso por multiplicar vinho em eventos sociais.

Então, graças à fé - e também a níveis impressionantes de incompetência da equipe santista - o Flamengo conseguiu “voltar à vida” em uma partida onde parecia não apenas decidido a morrer mas também a colocar toda a sua torcida passando por 90 minutos de puro calvário.

Salvo raras exceções, como Varela, um dos melhores em campo, e Jorginho, sempre um maestro, o que vimos foi, mais uma vez, uma equipe confusa, irregular, que conseguia ser ao mesmo tempo lenta e afobada, incapaz de realizar o jogo direto mas também pouco eficiente para rodar a bola.

Porque ainda é cedo para grandes juízos de valor sobre o trabalho de Leonardo Jardim, a temporada ainda nem chegou no meio para que afirmações contundentes possam ser feitas, mas a sensação é que, com o futebol que o Flamengo vem praticando, realmente vai ser preciso um milagre pra que essa equipe levante alguma taça esse ano.

E vendo a situação em que o mundo se encontra hoje, talvez as forças superiores possam ter outras prioridades, não sei. 

João Luis Jr é colunista do MundoBola!

Foto: Gilvan de Souza/Flamengo


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J. Luis Jr.
Autor
João Luis Jr. é jornalista, flamenguista desde criança e já viu desde Walter Minhoca e Anderson Pico até Adriano Imperador e Arrascaeta, com todas as alegrias e traumas correspondentes. Siga João Luis Jr no Su...