O problema no vestiário do Cusco que irritou o Flamengo mais que a altitude

Atualizado: 09/04/2026, 09:07
Gonzalo Plata cumprimenta Arrascaeta após gol do uruguaio pelo Flamengo na Libertadores

Vencer na altitude de 3.350 metros de Cusco não foi obra do acaso para o Flamengo. A vitória segura por 2 a 0 na estreia da Copa Libertadores de 2026 provou que as vitórias começam nos laboratórios do departamento médico e na ousadia do planejamento logístico.

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A avaliação interna do clube carioca é que a ousada estratégia contra a altitude funcionou com perfeição. O planejamento médico do Flamengo impediu que os jogadores passassem mal antes ou durante a partida, garantindo a imposição física e tática do time durante os noventa minutos.

Quartos pressurizados e cilindros de oxigênio

Ao contrário do consenso médico de chegar horas antes do jogo, o Flamengo optou por dormir em Cusco, apostando na tecnologia. A delegação se hospedou em um hotel com quartos dotados de tubulações que aumentam a entrada de oxigênio, simulando uma altitude mil metros menor.

O investimento científico se estendeu até as quatro linhas. Durante o intervalo, cilindros de oxigênio foram disponibilizados no vestiário do estádio Inca Garcilaso de la Vega, sendo utilizados por alguns atletas de linha como medida de rápida recuperação.

Na zona mista, o zagueiro Léo Pereira detalhou a operação: "A gente usou oxigênio, eu também usei. Tentamos as manobras que temos para ajudar. Toda ajuda é bem-vinda, eles [médicos] estudam e sabem melhor do que nós, a gente só obedece e tenta fazer o nosso melhor".

O defensor também exaltou a estratégia imposta por Leonardo Jardim: "Acho que conseguimos nos comportar bem. Estávamos bem concentrados e entramos sabendo o que tinha que fazer: um jogo inteligente, porque a altitude pesa em determinados momentos do jogo, ainda mais se você ficar forçando muito a bola e quiser imprimir velocidade. O saldo é positivo."

O verdadeiro "perrengue" pós-jogo

Embora o time tenha suportado fisicamente a montanha peruana, com Bruno Henrique e Ayrton Lucas sofrendo com o cansaço apenas na reta final, o que realmente tirou o elenco do sério não foi o oxigênio rarefeito.

Com a temperatura beirando os 8ºC na cidade de Cusco logo após o apito final, a maioria dos jogadores se recusou a tomar banho no estádio devido à água gelada saindo das duchas. O problema relatado foi a demora do sistema de aquecimento arcaico do local em retomar a temperatura após a primeira leva de atletas utilizar os chuveiros.

A revolta pelo frio gerou até brincadeiras. Arrascaeta, que fechou o placar marcando o segundo gol, foi um dos que correu de volta para o hotel, localizado a apenas 10 minutos de distância, para evitar uma gripe. "Ninguém pode se gripar agora, tem muito jogo", brincou o camisa 14 ao justificar a fuga do vestiário gelado.

Foto: Raul Sifuentes / Getty Images


Erick Viana
Autor
Jornalista formado pela UniCarioca e pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Especializado na cobertura do Flamengo, une paixão pelo esporte e pela comunicação para levar informação com credibilidade e emoç...