Flamengo x Santos: Jardim e Gabigol se reencontram após relação franca no Cruzeiro

Atualizado: 04/04/2026, 10:52
O técnico Leonardo Jardim (direita) do Cruzeiro comemora com Gabriel Barbosa (esquerda) após vencer a partida contra o Palmeiras no Brasileirão 2025 no Estádio Mineirão

Além do reencontro entre Gabigol e Nação no Maracanã, o duelo entre Flamengo e Santos neste domingo (5) colocará o atacante frente a frente com Leonardo Jardim, com quem trabalhou no Cruzeiro em 2025 e teve uma relação franca.

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Se antes dividiam o mesmo objetivo em Minas Gerais, agora o cenário é de oposição total: Jardim buscar voltar a vencer após derrota pesada contra o Bragantino, enquanto Gabigol quer melhorar sua fase artilheira no Santos.

Relação no Cruzeiro foi marcada por uma 'metamorfose'

Gabigol não teve um 2025 muito feliz no Cruzeiro de Leonardo Jardim. Apesar dos 13 gols marcados na temporada, o jogador foi pouco utilizado e não era uma peça tão importante quanto imaginou que seria na equipe.

Muito disso tem a ver com a maneira rígida do treinador de lidar com seu elenco, além da fase grandiosa de Kaio Jorge na temporada. As poucas oportunidades, no entanto, podem ter criado um "novo Gabigol".

Isso porque Jardim buscou utilizar ele de maneira mais associativa e em funções diferentes. Gabi chegou a atuar como ponta direita e meia ofensivo/segundo atacante. Algo semelhante já havia ocorrido no Flamengo durante passagem vitoriosa de Dorival Jr

Gabriel cedeu espaço mais à frente para Pedro brilhar. Contudo, tempos depois, pediu para voltar a atuar como centroavante, sua posição natural. No Cruzeiro, porém, ele precisou abrir mão dessa exigência para ganhar mais minutos.

Assim, conseguiu jogar em algumas partidas e ter alguns lampejos. As exigência de Jardim, no entanto, se mostram úteis para Gabigol agora, no Santos. Apesar de ser referência do ataque muitas vezes, ele tem feito um jogo mais associativo em relação ao que era no passado.

Léo Jardim e Gabigol sempre demonstraram respeito mútuo

Apesar dos pesares, a relação entre os dois foi marcada por respeito mútuo. Sempre indagados sobre isso, respondiam abertamente com suas opiniões, enfatizando não haver problema entre ambos.

Do lado de Jardim, ele reforçou reiteradas vezes que as escolhas se basearam nas necessidades da equipe e características que queria para vencer. Mas reforçava que Gabi treinava bem e era comprometido no dia a dia.

Já Gabigol sempre deixou claro o incômodo por ser pouco utilizado. O atacante, contudo, respeitava as decisões do comandante e reforçava que seguiria buscando mais espaço. 

No fim, ambos decidiram deixar o Cruzeiro. O treinador alegou problemas pessoais e deixou o comando no fim da temporada, ficando sem trabalhar até assumir o Flamengo, em março.

O atleta viu que poderia perder ainda mais espaço com a chegada de Tite, com quem não tem bom histórico, e decidiu voltar para o clube onde foi revelado. Lá vem sendo importante e é artilheiro da temporada, com sete gols em 12 jogos (três em quatro jogos no Brasileirão).

Vantagem tática: quem sabe mais?

Este reencontro adiciona uma camada de "espionagem" ao confronto. Leonardo Jardim conhece como poucos as limitações físicas e os gatilhos emocionais de Gabriel. Sabe, por exemplo, como o atacante reage sob marcação pressão e quais espaços ele prefere explorar quando o jogo fica truncado.

Por outro lado, Gabigol conhece os padrões de saída de bola e a compactação defensiva que Jardim exige de seus times. No Maracanã, o duelo deixará de ser sobre gratidão ou passado, tornando-se uma batalha de quem consegue antecipar o próximo passo do outro


Lucas Tinôco
Autor
Acima de tudo Rubro-Negro. Sou baiano, tenho 28 anos e cursei Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Além do MRN, trabalhei durante muito tempo como ap...