Ex-zagueiro do Flamengo revela como quase jogou carreira fora

Atualizado: 07/04/2026, 10:30
Fernando, ex-zagueiro do Flamengo, em entrevista ao MengoCast, da Flamengo TV
Imagem: Reprodução / Flamengo TV

O ex-zagueiro Fernando Santos abriu o jogo em uma entrevista reveladora ao MengoCast. Criado na Gávea, o ex-atleta relembrou sua trajetória meteórica de promessa a capitão mais jovem da história do clube, mas não poupou autocrítica ao falar sobre os excessos e os dramas que quase interromperam sua carreira.

O peso da "marra" e os erros de juventude

Fernando foi sincero ao descrever sua mentalidade nos primeiros anos de profissional. Campeão mundial sub-17 e titular do Flamengo muito jovem, o ex-zagueiro admitiu que o deslumbramento quase o venceu.

"Eu fiz tudo para dar errado, tá? Durante muito tempo, eu não achava que era dono do mundo, eu tinha certeza. Pensa num cara com 17 anos, campeão do mundo, sem ninguém para tomar conta dele, jogador do Flamengo... Dos 17 aos 24 anos, eu vivi como se fossem 21", confessou.

O ex-jogador detalhou que o consumo de álcool e as noitadas constantes eram parte de sua rotina, algo que ele hoje analisa com clareza filosófica, sem arrependimentos, mas com o reconhecimento de que o comportamento era nocivo.

O drama familiar: "O Flamengo ajudou a enterrar minha mãe"

A relação de Fernando com o Flamengo é umbilical. Sua mãe, Dona Gildete, foi auxiliar de serviços gerais no clube. O zagueiro relembrou o momento mais difícil de sua vida: a morte da mãe durante um jogo em que ele estava em campo, em Bangu.

Naquele período, o Flamengo não era apenas o clube de Fernando, mas sua rede de apoio. O ex-atleta revelou que o Rubro-Negro custeou o enterro de sua mãe e que ele pensou em desistir do futebol naquele momento.

"Eu decidi que não queria ir para o Mundial Sub-17 porque a pessoa que fez tudo para eu estar ali não estava aqui para ver. Mas meu irmão Sandro, que já estava envolvido com o crime, me deu a bronca mais absurda da vida e me mandou ir. Fui e fomos campeões", relembrou emocionado.

Bastidores de 2001: cheque sem fundo e empréstimo de Edilson

Fernandão também trouxe à tona a realidade financeira caótica do Flamengo no início dos anos 2000. Mesmo em meio ao histórico tricampeonato carioca sobre o Vasco, o clube atravessava uma crise profunda após a saída da parceira ISL.

  • Salários Atrasados: o elenco chegou a ficar 10 meses sem receber.

  • Ajuda dos companheiros: Fernando revelou que o atacante Edilson "Capetinha" emprestou dinheiro a ele diversas vezes para pagar contas básicas.

  • O caso Petkovic: o herói do tri quase não jogou a final de 2001. Segundo Fernando, o cheque do sérvio voltou sem fundos, e ele só aceitou se concentrar após muita insistência de Zagallo e amigos próximos.

"O Flamengo me ensinou a ter coragem"

Apesar das saídas conturbadas e dos problemas extracampo, Fernando reafirmou sua gratidão eterna à instituição. Para ele, o DNA do clube foi o que moldou seu caráter e sua competitividade.

"O Flamengo sempre me ensinou que eu podia vencer qualquer um. A gente podia ter um time inferior tecnicamente, mas no Maracanã, com 15 minutos, se você não estivesse em cima dos caras, a torcida cobrava raça. Se não existisse o Flamengo na minha vida, acho que nem vivo eu estaria", finalizou.


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Lucas Tinôco
Autor
Acima de tudo Rubro-Negro. Sou baiano, tenho 28 anos e cursei Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb). Além do MRN, trabalhei durante muito tempo como ap...