A caminho do Flamengo após não atingir meta, Lorran vive ostracismo na Itália

Atualizado: 02/04/2026, 12:45
Lorran leva mão ao rosto durante atuação ruim em jogo do Pisa-ITA

O que era para ser a grande vitrine europeia para o amadurecimento de Lorran transformou-se em um enorme problema tático e contratual. Emprestado pelo Flamengo ao Pisa até o meio deste ano, o jovem meia de dezenove anos perdeu completamente o seu espaço no futebol italiano.

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O longo período de ostracismo do jogador, aliado à grave crise técnica enfrentada pela equipe, não apenas prejudicou o seu desenvolvimento em campo, mas também selou matematicamente o destino do seu contrato: a cláusula de obrigação de compra não será acionada.

A matemática da obrigação e o rebaixamento iminente

O acordo firmado entre o Flamengo e o clube italiano previa a obrigação de compra dos direitos econômicos do atleta caso duas condições fundamentais fossem alcançadas: o jogador precisaria atuar em pelo menos metade das partidas da equipe no período do empréstimo e o Pisa não poderia ser rebaixado no Campeonato Italiano. Neste momento, nenhum dos dois cenários tem chance de se concretizar.

A equipe amarga a lanterna da competição e é considerada virtualmente rebaixada, faltando apenas a confirmação matemática.

Mas o principal fator que inviabiliza a cláusula é a ausência de Lorran nos gramados. Desde que o brasileiro chegou à Itália, o Pisa disputou 29 partidas, e o meia atuou em apenas nove. Restando oito jogos para o fim da temporada europeia e do seu vínculo de empréstimo, a equipe totalizará 37 compromissos no período. Metade dessa marca representaria 18 jogos e meio. Ou seja, mesmo que Lorran entre em campo em todas as oito rodadas restantes — um cenário altamente improvável —, ele chegaria ao máximo de 17partidas disputadas, ficando abaixo do exigido.

Desta forma, o clube italiano está totalmente livre da obrigatoriedade. Caso ainda tenha o desejo de manter o brasileiro, o Pisa precisará sentar com o Flamengo e costurar uma negociação do zero, possibilidade que parece muito remota diante do atual distanciamento do jogador.

Do gol na estreia ao sumiço dos gramados

O início da trajetória de Lorran deu a falsa impressão de que a meta de jogos seria batida com enorme facilidade. Em sua partida de estreia, o meia balançou as redes contra a Napoli, em jogo que terminou com derrota de sua equipe por 3 a 2. 

Naquela ocasião, ele recebeu a sua maior nota na plataforma estatística Sofascore: um 7.2. O problema é que o brilho inicial rapidamente se apagou.

Nas partidas seguintes em que foi acionado, suas avaliações despencaram para a casa dos seis pontos. A sua última aparição oficial aconteceu no distante dia 23 de janeiro, na dura goleada sofrida pelo Pisa por 6 a 2 diante da Inter de Milão, onde o brasileiro amargou uma modesta nota 6.1.

Desde aquele dia, o atleta desapareceu das quatro linhas. Ele chegou a figurar no banco de reservas em cinco oportunidades sem ser utilizado, nos duelos contra Sassuolo, Verona, Milan, Fiorentina e, mais recentemente, contra o Como.

Para demonstrar ainda mais o seu distanciamento do elenco, ele sequer foi relacionado pela comissão técnica para os confrontos contra Bologna, Juventus e Cagliari.

A bronca do campeão mundial e a preguiça tática

O afastamento do atleta não se deve a um capricho, mas sim a uma avaliação técnica rigorosa sobre a sua postura.

As críticas ao comportamento do jogador brasileiro se tornaram públicas e vieram de um nome de muito peso: Alberto Gilardino.

O atual comandante do Pisa e campeão do mundo com a seleção da Itália em 2006 foi bastante sincero ao apontar uma grande deficiência do meia no momento em que a equipe não tem a posse de bola.

"Estou com ele todos os dias durante os treinos. Esses jogadores têm algo diferente em termos de técnica, garra e intuição, mas precisamos eliminar um pouco da preguiça deles, que é o aspecto mais importante. O garoto está na Itália há pouco tempo. Se ele conseguir se livrar dessa preguiça, fará grandes coisas", disparou Gilardino aos jornais italianos.

A exigência por intensidade na recomposição e comprometimento defensivo na Europa apenas expôs uma falha que já era amplamente debatida no Brasil.

A necessidade de um choque de realidade para o desenvolvimento de Lorran havia sido apontada por analistas esportivos, como o jornalista Bernardo Ramos, na época de sua transferência.

"O Lorran tem que sair do Flamengo porque ninguém conseguiu convencer ele de que ele tem que jogar sem bola, de que ele tem que competir. Ninguém convence esse rapaz que ele tem que competir, que ele tem que jogar sem bola. Ele vai ter que tomar uma porrada da vida, uma porrada profissional", avaliou o comunicador.

Com o retorno à Gávea se desenhando no horizonte como o cenário mais provável, retornando no meio do ano, a promessa rubro-negra terá que assimilar essa dura lição italiana para tentar retomar a sua evolução na carreira profissional.

Foto destacada: Lorran leva mão ao rosto durante atuação ruim em jogo do Pisa-ITA | getty images


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Erick Viana
Autor
Jornalista formado pela UniCarioca e pós-graduado em Jornalismo Esportivo. Especializado na cobertura do Flamengo, une paixão pelo esporte e pela comunicação para levar informação com credibilidade e emoç...